Um café para (re)começar

“Vou conseguir”, “Não vou ficar triste”, “Levante!” – virando-se para um lado. “Mas será que sirvo para isso?”, “E se eu errar? Caramba, vão me odiar”, “Nossa, já errei, não posso mais vacilar”, “Calma, todos têm direito a errar, não é mesmo?” – virando-se para o outro lado. “É, pensando bem, acho que esse erro é grave, todos vão me chamar de coisas negativas!” – ficando de bruços. “Se eu não acordar a tempo?”, “Será que fui clara ao conversar sobre aquele trabalho com meu colega?”, “Fui simpática demais?”, “Acho que vou levantar, mas sem expectativa”  – olhando para o teto escuro.

Cheia dos questionamentos e se arrastando pela casa com seu chinelo tamanho 35, foi logo para a cozinha. Mediu dois copos de água e mais duas colheres de açúcar, acendeu o fogo e colocou os ingredientes para ferver. Na bancada da pia, o coador já estava limpo no suporte sobre a garrafa térmica faltando apenas duas colheres de pó.

A água já borbulhava e seu olhar fixava-se naquelas mini explosões sem ao menos uma piscadinha. Por segundos os pensamentos foram embora e apenas o vazio de uma manhã de domingo reinava. Enquanto a água passava por entre os poros do coador o que explodia eram os pensamentos de Julieta tentando se aquietar. 

Thamires Soares

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