Um café para começar

Uma linda e trágica história pode começar com um café. Falo de um café forte, com uma leve pitada de açúcar ou um bloquinho de rapadura, aquele recém coado para atiçar os nervos e deixar qualquer ansioso ligado no 220.

Café não é uma mera bebida, é também um combustível usado para encarar a vida, e Julieta sabia mais do que ninguém a diferença que uma xícara do pretinho fazia. Moça de pele parda, de cabelos ondulados, nem gorda e nem magra e com olhos de jabuticaba, vivia na amargura de sonhar que o mundo poderia ser diferente.

Ah, pequena Julieta, tão sonhadora e perturbada, sua mente nunca se calava. Logo pela manhã, já passava seu café, escolhia três biscoitos e seguia para universidade em busca de “ser alguém”. Acho que ela nunca entendeu ao certo o sentido de tal termo, ser alguém parecia tão amplo e ao mesmo tempo tão simples. Então, escrevia numa listinha tudo que poderia fazer, seja no dia seguinte, seja daqui a 3 ou 5 anos.

Com uma imensa lista de afazeres, um copo de água e um comprimido, agora Julieta não sente mais o aroma de seu cafezinho, só segue a vida em busca de seu ser.

Thamires Soares

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